O RETORNO AO CAOS
Jesus retorna, não em glória dourada,
mas nas ruas bombardeadas, cinzentas,
onde o cheiro de pólvora e fumaça,
mistura-se ao pão que falta na mesa.
Ele caminha entre prédios derrubados,
ouvindo o eco das histéricas sirenes,
com se fosse trombetas do Apocalipse.
Não há discípulos, há multidões confusas,
presas em telas luminosas,
adorando ídolos de plásticos e cifras digitais.
Cristo levanta os olhos,
vê a guerra transmita ao vivo,
a corrupção vestida de terno,
e a pergunta: "Onde está o amor que plantei?"
Mas ainda há sementes,
mesmo no asfalto duro,
mesmo no coração cansado.
Ele abre os braços, não para morrer,
mas para abraçar o caos,
transformar o grito em luz,
lembrar que ressurreição é resistência.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)