Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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                               O OVO DE OURO

 

     Na véspera de Páscoa, entre prateleiras reluzentes e preços indecentes, descobri que o ovo de chocolate virou artigo de luxo. Não era doce, era investimento: parecia que dentro da casca vinha um contrato de ações, não brinquedinhos.

     Fugi da armadilha e agarrei uma barra de chocolate Hershey's 60% cacau, meu ato de resistência contra o capitalismo açucarado. Cheguei em casa radiante, pronto para saborear minha vitória. Mas antes que a barra de chocolate fosse aberta, ouvi uma sentença do Ministério da Saúde Doméstico: Olha o colesterol! Olha a pressão alta!

     Minha barra de chocolate foi confiscada em nome da longevidade. Restou-me o ovo... de galinha. Cozido, simples, democrático, sem embalagem dourada nem boleto bancário escondido.

     E foi ali que percebi: a Páscoa moderna não celebra o coelho nem o chocolate, mas sim a economia doméstica e a vigilância conjugal. O verdadeiro milagre é conseguir comer alguma coisa sem falir e sem ser repreendido.

     No fim, entre o luxo inacessível e a dieta obrigatória, descobri que o ovo de galinha é o único que cabe no bolso e na pressão arterial. E convenhamos: pelo menos não vem com um boleto dentro.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 04/04/2026
Alterado em 04/04/2026
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