UMA NOITE NO MATO SEM CACHORRO
Cantigas de sapos,
rasgam o silêncio úmido,
pirilampos acendem
um céu sem lâmpadas.
A terra exala o cheiro
de mato vivo e molhado.
O riacho canta,
sem maestro, sem pauta,
apenas águas que insiste
em ser música.
O sereno pousa leve,
como se fosse lembrança.
E o galo anuncia
um amanhã que ainda não chegou.
Quem nunca dormiu no mato
não sabe o que perdeu:
é programa de índio,
mas é gostoso.
A noite é festa sem convite,
é liberdade sem moldura.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)