SOB O OLHAR DA GAIVOTA
Do alto, deslizo no vento,
vejo rios de ferro parados,
carros engasgados em filas sem fim,
o asfalto lateja como ferida aberta.
As pessoas correm, correm,
se saber para onde,
relógios devoram seus passos,
o tempo é um chicote invisível.
E lá embaixo, o grito seco da violência,
um roubo, um esbarrão, um medo,
a cidade pulsa em nervos expostos,
eu voo, mas não fujo: testemunho.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)