Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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         A GALINHA QUE QUERIA SER PATA

 

     No quintal de Dona Zulmira, reinava uma galinha cheia de pretensões. Enquanto suas colegas se ocupavam em ciscar o terreiro, procurar minhocas e botar ovos, ela sonhava com horizonte aquáticos. Não queria ser ser cisne, nem ganso, flamingo. Sua ambição era modesta e, ao mesmo tempo, mais ousada: queria ser uma pata. Achava elegante aquele andar bamboleante e, sobretudo, o espetáculo das patas no lago, deslizando como artistas de circo aquático.

     Um dia, tomada por coragem e vaidade, resolveu provar ao  mundo sua nova identidade. Caminhou até o lago com passos firmes, peito estufado e aquele ar de quem acredita que basta se mostrar para convencer.

     Entrou na água como quem desfila na passarela. Mas logo descobriu que o glamour das patas não vinha de graça. As penas se encharcaram, o corpo afundava, e o cacarejo virou gargarejo. A galinha se debatia como guarda-chuva em tempestade, enquanto as rãs riam em coro e os peixes soltavam bolhas de deboche. Os patos, por sua vez, ficaram extasiados: nunca tinha visto uma galinha transformar o lago em palco de comédia.

     Quase virou estatística aquática, mas conseguiu se arrastar para fora, pingando e desmoralizada, Ainda assim, sacudiu as penas e declarou com orgulho: "Não sou pata... mas sou a primeira galinha a dar espetáculo no lago!"

     E assim nasceu a lenda da galinha que queria ser pata: uma tragédia que virou comédia, lembrando que às vezes o ridículo é só a forma mais divertida de se destacar.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

 

 

     

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 18/04/2026
Alterado em 20/04/2026
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