O CANDIDATO DOS PEDIDOS INFINITOS
Na cidade de Bom Senso, a campanha eleitoral parecia mais um balcão de feira livre do que um projeto político. O candidato a prefeito, homem de sorriso largo e promessas ainda mais largas, resolveu que não havia pedido absurdo demais para ser atendido demais para ser atendido. Afinal, voto é voto, e quem disse que dignidade não pode ser parcelada em gasolina e cesta básica?
O eleitor oportunista, figura conhecida na cidade, tratou a eleição como se fosse lista de casamento. "Quero casa nova, com varanda. Ah, e já pode incluir as mobílias, porque não vou ficar no chão. Cesta básica fixa, gasolina no tanque toda semana, emprego para toda família e plano de saúde vitalício." O candidato, sem pestanejar, anotava tudo como se fosse gerente de loja de departamento. "Claro, meu amigo, tudo isso é possível. Basta acreditar no futuro e, claro, votar em mim."
E assim, a política virou um espetáculo tragicômico: o eleitor pedindo como criança mimada em shopping, e o candidato distribuindo promessas como se fossem balas em festa infantil. No fim, ninguém falava de escola, hospital ou saneamento básico. O que importava era o pacote: casa, mobília carro e comida, tudo garantido pelo mágico poder do voto.
A cidade assistia, entre gargalhadas e suspiros, ao teatro eleitoral mais debochado da história. Porque em Bom Senso, a democracia não era feita de ideias, mas de uma lista interminável de desejos e de um candidato disposto a ser Papai Noel fora de época.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)