Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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      SOB A SOMBRA DO PÉ DE TAMARINDO

 

     Nos anos de 1958 e 1959 , em Iara-CE, minha infância encontrou abrigo sob a copa generosa de um velho pé de tamarindo, vizinho silencioso do cemitério. O sol ardia no sertão, mas ali, entre folhas e raízes, eu descobria um mundo só meu.

     Com ossos de boi, erguia currais imaginários, e o chão se tornava fazenda de sonhos. Aos seis, sete anos, ainda gaguejando, eu lia cordéis para os mais velhos. Eles me escutavam com atenção, como se minha voz tímida carregasse segredos antigos, como se cada tropeço fosse parte da poesia que o sertão entendia tão bem.

     O pé de tamarindo era mais que sombra: era companheiro, testemunha das minhas primeiras narrativas e guardião das minhas brincadeiras. Hoje, já não existe. O tempo levou suas raízes, e talvez tenha dispersado suas folhas azedas, espalhando no vento o gosto e infância que nunca mais voltou.

      Mas dentro mim, ele permanece vivo, lembrança eterna de uma infância que floresceu sob sua sombra, entre 1958 e 1959, quando o menino descobriu que até a palavra frágil podia ser força.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

     

 

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 18/04/2026
Alterado em 18/04/2026
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