Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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                                O SUPREMO TRIBUNAL CANINO

 

     Era uma tarde qualquer, mas na Vara de Família o clima estava de novela mexicana. O juiz, com ar solene, ajeita a toga com a gravidade de quem vai decidir a o destino da nação. Mas não se trata de orçamento público nem de escândalo político: é a guarda do Rex e da Mimi.

- "Declaro aberta a audiência do caso Rex e Mimi versus o Ex-casal em litígio."

     De um lado, o advogado da ex-esposa ergue fotos do Rex como se fossem documentos secretos da CIA, revelando a "Operação Ossinho". Cada imagem é apresentada com a pompa de prova irrefutável: Rex dormindo no sofá, Rex usando roupinha de inverno, Rex lambendo sorvete.

     Do outro lado, o advogado do ex-marido contra-ataca com recibos de ração premium, agitando-os como quem exibe provas de corrupção internacional.

     A plateia prende a respiração. O juiz, impassível, consultava o Código de Direito Animal Doméstico (edição especial com patinhas douradas na capa).

- "Senhores, vamos manter a ordem. Este tribunal não tolera latidos fora de hora."

     De repente, Rex solta um uivo dramático, digno de ópera. Mimi, a gata, sobe na mesa e derruba o microfone, como quem exige direito de resposta. O oficial de justiça corre para segurar a felina, mas ela já havia declarado independência: "E fico com quem tiver Netflix e sofá macio."

     O juiz suspira, olha para o teto e sentencia:

- O Rex terá direito a visitas quinzenais, com passeio obrigatório no parque e direito a ossinho extra em feriados. A Mimi ficará em guarda compartilhada, alternando casas conforme a disponibilidade de sachês de salmão. E se houver descumprimento, aplico prisão domiciliar... no canil."

     A plateia explode em aplausos, os advogados se abraçam como se fosse final de copa, e o casal sai cabisbaixo, derrotado pela lógica implacável da justiça animal.

     No fim, Rex abana o rabo, Mimi se espreguiça, e ambos deixam claro: quem realmente manda são eles. O resto é só teatro jurídico.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 20/04/2026
Alterado em 20/04/2026
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