.O BOBO HOMEM LOBO E O LOBO HOMEM BOBO
Naquela noite, o vento soprava como se zombasse da própria humanidade. O bobo homem lobo caminhava em silêncio, farejando o rastro do lobo homem bobo. Não havia fome, não havia vingança, apenas o vazio que move os homens a caçarem uns aos outros.
O encontro foi inevitável. Olhos nos olhos, cada um via no outro o reflexo da própria miséria. Um riu, o outro rosnou, E no riso e no rosnado, a mesma essência: a futilidade da violência. O primeiro golpe não foi dado por necessidade, mas por hábito. O segundo não foi defesa, mas repetição.
Quando o sangue manchou a terra, não havia vitória. A madrugada apenas testemunhou, corpos caídos, como se fossem espelhos quebrados. Homens matando homens, lobos matando lobos, todos iguais na sua tolice.
E o sol, indiferente, nasceu sobre a carnificina. A vida seguiu, como sempre segue, sem aprender nada.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)