Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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    .O BOBO HOMEM LOBO E O LOBO HOMEM BOBO

 

     Naquela noite, o vento soprava como se zombasse da própria humanidade. O bobo homem lobo caminhava em silêncio, farejando o rastro do lobo homem bobo. Não havia fome, não havia vingança, apenas o vazio que move os homens a caçarem uns aos outros.

     O encontro foi inevitável. Olhos nos olhos, cada um via no outro o reflexo da própria miséria. Um riu, o outro rosnou, E no riso e no rosnado, a mesma essência: a futilidade da violência. O primeiro golpe não foi dado por necessidade, mas por hábito. O segundo não foi defesa, mas repetição.

     Quando o sangue manchou a terra, não havia vitória. A madrugada apenas testemunhou, corpos caídos, como se fossem espelhos quebrados. Homens matando homens, lobos matando lobos, todos iguais na sua tolice.

     E o sol, indiferente, nasceu sobre a carnificina. A vida seguiu, como sempre segue, sem aprender nada.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

 

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 20/04/2026
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