OS ENGENHEIROS DA DESUNIÃO
Há quem viva de plantar cercas invisíveis. São os engenheiros da desunião, que desenham linhas no chão e dizem: "Aqui ficam pobres, ali os ricos. Aqui os pretos, lá os brancos. Aqui os da direita, lá os da esquerda. Aqui os católicos, lá os evangélicos."
E o povo, cansado de batalhar pela sobrevivência, muitas vezes cai na armadilha. Passa a acreditar que o vizinho é inimigo, que o colega é ameaça, que o amigo é adversário. Enquanto isso, os verdadeiros desagregadores se alimentam do caos, rindo da discórdia que eles mesmos semearam.
Mas a vida não se sustenta em muros. O pão que alimenta não pergunta a cor da mão que o amassa. A fé que consola não mede o templo onde se reza. A justiça que se busca não deveria ter lado, mas sim equilíbrio.
Dividir é fácil. Unir exige coragem. E talvez seja essa maior prova de inteligência coletiva: perceber que quem insiste em nos separar acredita que somos idiotas.
Não somos idiotas. Somos vizinhos, colegas, irmãos. Somos diferentes, mas não inimigos. E se há uma luta a travar, não é contra quem está ao nosso lado, mas contra aqueles que lucram com a nossa desunião.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)