A PEDRA DA GALINHA CHOCA
Do trem, menino, vi a pedra,
galinha imóvel, chocando o nada,
Quixadá inteira em silêncio,
um ovo de sol no horizonte.
Cresci, e a galinha ficou,
não choca pintos, choca memórias,
o vento repete o mesmo canto,
o tempo se assenta na rocha.
Hoje passo outra vez,
a paisagem é a mesma,
quem mudou: eu e o trem,
a pedra continua chocando.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)