Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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O REI DE PAPELÃO

 

O homem desfila em coroa de fumaça,

um sol de plástico orbitando sua testa,

como se o mundo fosse espelho

e cada olhar, um aplauso engessado.

 

Ergue-se em torre de sal,

pedestal que se dissolve na primeira chuva,

mas insiste em chamar de eternidade

o pó que escorre entre os dedos.

 

Dentro da barriga, um império inflado,

castelos de ar comprimido,

onde súditos invisíveis aplaudem

o silêncio da própria vaidade.

 

Não desce.

Não desce porque teme o chão,

esse chão que mastigas coroas

e transforma reis em poeira anônima.

 

E nós, que olhamos de baixo,

vemos apenas um boneco suspenso,

pendurado por fios de arrogância,

dançando no teatro da própria sombra.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 30/04/2026
Alterado em 30/04/2026
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