O REI DE PAPELÃO
O homem desfila em coroa de fumaça,
um sol de plástico orbitando sua testa,
como se o mundo fosse espelho
e cada olhar, um aplauso engessado.
Ergue-se em torre de sal,
pedestal que se dissolve na primeira chuva,
mas insiste em chamar de eternidade
o pó que escorre entre os dedos.
Dentro da barriga, um império inflado,
castelos de ar comprimido,
onde súditos invisíveis aplaudem
o silêncio da própria vaidade.
Não desce.
Não desce porque teme o chão,
esse chão que mastigas coroas
e transforma reis em poeira anônima.
E nós, que olhamos de baixo,
vemos apenas um boneco suspenso,
pendurado por fios de arrogância,
dançando no teatro da própria sombra.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)