SILÊNCIO DE VOZES
As vozes que moldaram o vento,
Alceu, Djavan, Fagner, Caetano,
Chico Buarque, Roberto Carlos,
Martinho e Zeca Pagodinho,
onde guardam o canto novo?
Há mais de vinte anos,
o vinil virou lembrança,
o CD virou relíquia,
e o Spotify espera, vazio,
por inéditas que não vêm
O Brasil ainda vibra,
a esquina ainda pede samba,
o sertão ainda pede viola,
a cidade ainda pede poesia.
Mas vocês, mestres,
se recolheram ao murmúrio do passado,
como se o futuro não merecesse
a mesma ousadia.
Roberto, rei da MPB,
onde está a canção inédita
que deveria nascer em dezembro,
como o carro-chefe da Globo,
abrindo o ano com esperança
e fechando o ciclo com música?
Cantores, não nos deixem órfãos
de novidade.
A música é rio,
não pode parar.
Queremos o risco,
o improviso,
o tropeço que vira clássico.
Queremos o agora.
Chega de músicas repisadas,
somos inteligentes,
merecemos músicas novas,
merecemos o presente cantado.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)