O CALANGO DE GRAVATA
Dizem que o jacaré da Lacoste atravessou oceanos, conquistou vitrines e virou o símbolo de elegância. Pois bem, chegou a hora de apresentar o primo arretado: o Calango do Nordeste. Não é bicho de rio, mas de sol quente e pedra rachada. Não desfila em passarela de Paris, mas corre ligeiro entre mandacarus e xiquexiques, com a mesma desenvoltura de quem sabe que estilo não se compra, se carrega na pele.
O jacaré pode até ter pedigree francês, mas o calango tem doutorado em sobrevivência. Enquanto o jacaré posa em camisa polo, o calango inspira roupas que respiram liberdade, frescor e uma pitada de irreverência. É o embaixador da moda que não se leva tão a sério, mas que, justamente por isso, conquista respeito.
Imagine uma camisa estampada com o traço ágil do calango, lembrado aquela elegância também pode suar sob o sol de meio-dia. O Jacaré pode até se achar sofisticado, mas o calango é mais bonito, esbelto e responde com humor: "Mau caro, enquanto você nada em lagos artificiais, eu danço forró no sertão".
No fim das contas, não se trata de competir, O jacaré é clássico, o calango é criativo. Um nasceu para o clube de golfe, o outro para roda de sanfona. E ambos, cada um à sua maneira, provam que estilo é apenas a tradução daquilo que somos. O jacaré é francês. O Calango é nordestino. E eu pergunto: quem é que resiste a um esbelto e lindo calango de gravata?
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)