O ENROLADO E O DESENROLA BRASIL
O Enrolado era um sujeito que vivia em guerra com os boletos. Todo mês, parecia que os carnês se multiplicavam como coelhos: cartão de crédito, empréstimo, fiado da padaria, até a mensalidade da academia que ele nunca pisou. Quando ouviu falar do Desenrola Brasil, seus olhos brilharam como quem vê um fiado virar "perdoado".
- Agora vai! - pensou, cheio de esperança.
Entrou no programa como quem entra num parque de diversões: achando que ia sair leve, sorridente, sem dívidas. Mas o Enrolado tinha talento nato para complicar. Em vez de negociar, fez novas compras "porque estava barato". Em vez de pagar, parcelou. E em vez de se desenrolar, foi se enrolando mais ainda, como um novelo de lã jogado no ventilador.
O Desenrola Brasil olhou para o Enrolado e suspirou:
- Meu filho, eu sou programa de renegociação, não santo milagreiro!
Mas o Enrolado insistia. Criou planilhas, fez contas mirabolantes, até tentou vender a bicicleta ergométrica que servia de cabide. No fim, o resultado foi um só: quebrou o Desenrola Brasil. O programa, coitado, saiu de lá pedindo férias, terapia e talvez um empréstimo consignado.
E o Enrolado? Continua firme, dizendo aos amigos:
- Tô quase livre das dívidas: as contas velhas eu não pago, e as novas eu deixo envelhecer. Daqui a pouco viro museu de boletos.
Moral da história: quem não desenrola a própria vida, nem o Desenrola Brasil dá conta.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)