ELEGIA DAS MÁQUINAS MORTAS
Choramos, sim,
não com lágrimas,
mas com ferrugem.
Ford, General Motors, Mercedes-Benz,
ossos de aço no cemitério das fábricas.
Sony Brasil, Philips, Kodak, Sharp,
fantasmas elétricos piscando no escuro.
Rhodia dissolve-se em silêncio químico.
Yoki, Antarctica, sabores que se perderam,
na boca da globalização.
Villares, aço que já não sustenta
o peso da memória.
Varig, Vasp, Transbrasil,
asas quebradas, pássaros de ferro
caídos no chão da memória.
E no vazio das oficinas,
erguem-se caixas coloridas,
made in China,
substitutos sem lembrança,
sem cheiro de graxa,
sem alma de motor.
O Brasil enterra seus ídolos industriais,
sem cortejo, sem hino,
apenas o som metálico
de portas fechando.
Modernidade é também luto:
um museu de logotipos apagados,
um cemitério de slogans,
um silêncio de motores.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)