Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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ELEGIA DAS MÁQUINAS MORTAS

 

Choramos, sim,

não com lágrimas,

mas com ferrugem.

 

Ford, General Motors, Mercedes-Benz,

ossos de aço no cemitério das fábricas.

Sony Brasil, Philips, Kodak, Sharp,

fantasmas elétricos piscando no escuro.

 

Rhodia dissolve-se em silêncio químico.

Yoki, Antarctica, sabores que se perderam,

na boca da globalização.

Villares, aço que já não sustenta

o peso da memória.

 

Varig,  Vasp, Transbrasil,

asas quebradas, pássaros de ferro

caídos no chão da memória.

 

E no vazio das oficinas,

erguem-se caixas coloridas,

made in China,

substitutos sem lembrança,

sem cheiro de graxa,

sem alma de motor.

 

O Brasil enterra seus ídolos industriais,

sem cortejo, sem hino,

apenas o som metálico

de portas fechando.

 

Modernidade é também luto:

um museu de logotipos apagados,

um cemitério de slogans,

um silêncio de motores.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 13/05/2026
Alterado em 13/05/2026
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