Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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                                 O ESCRITOR DE WI-FI

 

     Hoje em dia, qualquer criatura com polegar opositor e acesso ao Wi-Fi já se acha escritor. O camarada acorda, digita três linhas sobre o trânsito e pronto: é o novo Machado de Assis, versão aplicativo. O problema é que ninguém lê, e quando lê, não entende. Mas isso não importa, porque o escritor moderno não quer ser compreendido, quer ser curtido.

     A crônica virou uma espécie de selfie literária: não precisa conteúdo, basta existir. O sujeito escreve como quem posta foto de almoço, sem tempero, sem contexto, mas com filtro. E quando alguém ousa perguntar "o que você quis dizer?", ele responde com ar de gênio  incompreendido: "não é para entender, é para sentir". Só que ninguém entende nada, além de preguiça.

     No fim, escrever hoje é como falar sozinho no elevador: você  se escuta, se admira, e acredita que os outros estão fascinados. Mas os outros só querem chegar no andar deles. E o cronista, esse herói da tecla fácil, segue convencido de que está mudando o mundo, quando na verdade só está enchendo a linha do tempo. Como alguém já disse: "Escrever é bom, mas não precisa transformar cada espirro em literatura."

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 14/05/2026
Alterado em 14/05/2026
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