O ELEITOR SEM BANDEIRA
Não sou de esquerda, direita ou de centro. Não sou nada disso. Ideologia, para mim, é como manual de eletrodoméstico: cheio de promessas, mas ninguém segue. O político aparece com a bandeira colorida, o discurso inflamado e a pose de salvador de pátria. Eu, crescidinho, já sei: salvador da pátria é só personagem de novela ruim.
O eleitor que não se ajoelha para ideologia vira um problema para o sistema. "Como assim você não é de esquerda, nem de direita, nem de centro? Vai votar em quem, então?" Ora, vou votar em quem não me trate como idiota. Se for honesto e trabalhador, já é milagre suficiente. Não preciso de profetas fabricados pela Globo ou por qualquer outro canal que acha que pauta voto como pauta novela.
Enquanto isso, o circo continua: palhaços prometendo mundos e fundos, mágicos fazendo verba pública desaparecer, e plateia dividida em torcidas organizadas de ideologias que não pagam boleto. Eu fico na arquibancada, rindo da cena, porque já sei que no fim o espetáculo é sempre o mesmo: o eleitor paga ingresso, político leva o lucro.
Ideologia? Obrigado, mas passo. Prefiro quebrar a cara sozinho a entregar minha cara para ser quebrada por um partido que jura ter a fórmula da salvação.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)