MORDAÇA COLETIVA
No elevador, paredes fechadas,
olhos desviados, bocas caladas,
o homem na sua mudez se apaga,
a pressa consome, a alma se trava.
No metrô, multidão comprimida,
cada qual na sua própria ferida,
o tempo engole, ninguém arrisca,
toda a sociedade se mostra arisca.
Na rua, passos duros, apressados,
corpos cruzam, mas não abraçados,
apenas os cães se beijam, se olham,
homens no mar de silêncio se afogam.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)