Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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O HOMEM SUBSTITUÍDO

 

Em 2120, o campo é de ferro,

a bola é engrenagem,

o chute é feito por pernas hidráulicas,

e o gol vibrado em circuitos elétricos.

 

O homem?

Peça obsoleta,

manual de instrução esquecido

numa biblioteca empoeirada.

 

O robô dança samba com algoritmos,

faz amor com engrenagens,

gera filhos metálicos

movidos a cachaça e óleo diesel.

 

Pensar já não é humano:

é cálculo,

é lógica fria,

é poesia em código binário.

 

O futuro não tem músculo,

tem aço.

Não tem sangue,

tem combustível.

Não tem coração,

tem um transistor pulsando.

 

E o homem,

que um dia sonhou dominar a máquina,

descansa agora

como mito arqueológico,

um fóssil de carbono

na era do aço inoxidável.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

 

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 19/05/2026
Alterado em 30/09/2026
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