O SILÊNCIO QUE RESPIRA
No quarto vazio,
a sombra se senta na cadeira,
como se esperasse alguém
que nunca virá.
As paredes murmuram nomes
que não conheço,
e cada batida do relógio
é um punhal lento,
rasgando o tecido da espera.
A solidão não é falta,
é excesso:
um mar sem margens,
um espelho que não devolve rosto,
um grito que se repete
até virar canto.
E eu,
feito ruína que ainda sonha,
aprendo que estar só
é conversar com o nada
até que o nada responda.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)