Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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                              INFÂNCIA INVENTADA

 

     Naquele tempo, a felicidade não vinha pronta, não se comprava em prateleiras. Ela nascia das mãos, da imaginação e do improviso. O curral de bois de ossos era o reino do fazendeiro, onde eu comandava minha boiada imaginária. O cavalo de pau galopava veloz pelas ruas de terra, e o rolimã descia ladeiras como foguete, levando junto o riso solto da meninada.

     Havia também o galamarte, engenho de criança que transformava qualquer pedaço de madeira em aventura. O balancinho improvisado no pé de umbu balançava sonhos, embalava tardes inteiras, enquanto os carrinhos de lata de sardinha, com rodas tortas, corriam como se fossem carros de corridas. E, no centro de tudo, a bola de meia, costurada às pressas, recheada de pano, mas capaz de criar campeonatos épicos no terreiro de terra batida, com traves de chinelos e torcida de passarinhos.

     Cada brinquedo era mais que objeto: era símbolo de engenho, de simplicidade, de alegria inventada. Não havia luxo, mas havia abundância de imaginação. Não havia tecnologia, mas havia companheirismo. E sobretudo, havia felicidade, aquela que não se mede em cifras, mas em lembranças que permanecem vivas.

     Hoje, ao recordar, não é saudosismo. É constatação. A infância foi plena porque soube transformar o pouco em tudo. E talvez seja essa a maior herança: saber que a felicidade pode estar em um cavalo de pau, em uma bola de meia, em um carrinho de lata, ou simplesmente no riso de quem brinca sem pressa de crescer.

     

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

 

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 23/05/2026
Alterado em 23/05/2026
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