LUXO ELEITORAL
O povo gosta de luxo, mas o político descobriu que a miséria rende mais votos. É nela que ele desfila, com palanque improvisado e sorriso ensaiado, distribuindo promessas como confete fora de época.
A cada quatro anos, a miséria vira espetáculo: filas para cestas básicas, abraços em barracos, discursos sobre esperança. O luxo verdadeiro: escola, hospital, segurança, transporte decente, fica guardado nos cofres da retórica. O povo pede dignidade, mas recebe migalhas embrulhadas em santinhos.
Joãozinho Trinta transformava lixo em luxo na Sapucaí. Já o político transforma miséria em palco eleitoral. O povo desfila sua necessidade, e ele brilha com a fantasia da generosidade. Luxo de ocasião, luxo de mentira.
No fim, o povo continua sonhando com o luxo que liberta, enquanto o político insiste na miséria que aprisiona. Porque, afinal, a miséria é o camarote mais rentável da política brasileira.
Crônica de Benedito Morais de Carvalho (Benê)