Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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                                  LUXO ELEITORAL

 

     O povo gosta de luxo, mas o político descobriu que a miséria rende mais votos. É nela que ele desfila, com palanque improvisado e sorriso ensaiado, distribuindo promessas como confete fora de época.

     A cada quatro anos, a miséria vira espetáculo: filas para cestas básicas, abraços em barracos, discursos sobre esperança. O luxo verdadeiro: escola, hospital, segurança, transporte decente, fica guardado nos cofres da retórica. O povo pede dignidade, mas recebe migalhas embrulhadas em santinhos.

     Joãozinho Trinta transformava lixo em luxo na Sapucaí. Já o político transforma miséria em palco eleitoral. O povo desfila sua necessidade, e ele brilha com a fantasia da generosidade. Luxo de ocasião, luxo de mentira.

     No fim, o povo continua sonhando com o luxo que liberta, enquanto o político insiste na miséria que aprisiona. Porque, afinal, a miséria é o camarote mais rentável da política brasileira.

 

Crônica de Benedito Morais de Carvalho (Benê)

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 24/05/2026
Alterado em 25/05/2026
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