A SELEÇÃO DOS PATROCINADORES
O torcedor brasileiro já aprendeu a engolir sapos. A cada convocação, a esperança se mistura com a desconfiança; será que o técnico chamou quem realmente está jogando bola ou quem rende mais comercial de shampoo? O campo deveria ser o altar do mérito, mas virou vitrine de patrocinador.
Jogador que corre, sua e dá o sangue? Esse fica no banco. Quem tem contrato milionário com marca de chuteira e aparece sorrindo em horário nobre na Globo? Esse veste a amarelinha. É como se a seleção fosse escolhida não no gramado, mas na sala de marketing.
E aí o torcedor, que ainda acredita no mito que "Deus é brasileiro", se pergunta; será que Ele torce por essa seleção feita de conveniência? Ou será que, cansado de tanta politicagem esportiva, já mudou de seleção?
O futebol é paixão, suor, talento e preparo físico. Mas quando a camisa da seleção vira moeda de troca, o espetáculo se transforma em circo de interesses. O torcedor canta o hino, mas quem joga mesmo são os escolhidos pelo peso da marca. E o resultado? Conversa pra boi dormir, derrota anunciada e mais uma geração de craques ignorados.
Enquanto isso, o torcedor segue fiel, mas cada vez mais descrente. Porque amar a seleção é fácil. Difícil é acreditar que ela ainda representa o Brasil e não apenas o balanço das empresas que a patrocinam.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)