AS FOFOCAS DE OTAVINHO
Na pequena cidade, onde até o vento parecia carregar segredos, reinava soberano o surdo-mudo Otavinho. Não falava, não ouvia, mas sabia da vida de todo mundo, e como sabia! Era como se tivesse antenas invisíveis ligadas ao coração da praça.
Otavinho conhecia cada dívida não paga, cada calote escondido atrás de um sorriso amarelo. Sabia quem levou chifre e quem ainda estava comemorando a primeira noite de amor. Até o padre Fiúza, coitado, não escapava: a freguesia inteira já tinha dançado nas fofocas que Otavinho espalhava com seus gestos e olhares maliciosos.
O mais engraçado era o método: Bastava um levantar de sobrancelha, um aceno rápido com a mão, e pronto: a noticia corria mais veloz que carro de fórmula 1. A praça se transformava em palco, e Otavinho era o maestro de uma sinfonia de risadas, cochichos e gargalhadas.
E ninguém ficava bravo. Pelo contrário, todos esperavam pelo próximo "boletim" do nosso fofoqueiro oficial. Porque, no fundo, sabiam que sem Otavinho a vida seria muito mais sem graça.
No fim das contas, ele não era apenas o guardião das fofocas: era o cronista silencioso da cidade, aquele que transformava os segredos em espetáculo e fazia da rotina um carnaval permanente.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)