SENEGAL: GOL NA LAMA
Ossos expostos,
barro duro,
água que não chega,
crianças magras,
ventres ocos,
chuva vira enchente,
enchente vira nada.
Silêncio partido,
ritmo inventado.
No pé de Mané,
a bola gira,
o grito explode,
gol sem pão,
alegria sem teto.
Não salva,
conforta,
um lampejo,
um salto,
um instante suspenso,
dor esquecida,
futuro imaginado,
bola rasgando o ar.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)