OS CAINS ENTRE NÓS
Não se iluda: os Cains existem. Estão infiltrados nas famílias, nas rodas de amigos, no meio político, nas associações, nos quartéis, nos templos religiosos, em todos os lugares onde a confiança deveria reinar, sorrindo por fora enquanto afiam a lâmina por dentro. Apunhalam todos os dias seus Abéis, sem descanso, sem pudor. São os invejosos, recalcados, incompetentes que torcem pela tua queda, pela tua ruína.
Vivem à espreita, como sombras malditas, incapazes de criar luz própria. O brilho alheio os cega, e em vez de aprender, preferem destruir. Não suportam o sucesso dos outros porque o fracasso próprio lhes pesa como corrente.
O invejoso é um predador social: não constrói, não edifica, não celebra. Ele se alimenta da desgraça alheia, como abutre que ronda a carniça. E quando não há ruína, inventa. Quando não há queda, deseja. Quando não há sangue, saliva de cobiça.
Mas há uma ironia cruel: o Caim nunca vence. Pode ferir, pode atrasar, pode manchar, mas não consegue apagar o que é genuíno. O Abel, mesmo ferido, carrega a centelha que o invejoso jamais terá.
E assim seguimos, convivendo com esses vampiros emocionais, que se disfarçam de amigos, de colegas, de confidentes. A cada sorriso falso, a cada abraço frio, a cada conselho envenenado, eles revelam sua essência: a miséria de quem sangra diante da felicidade alheia.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)