BARBALHA ONDE EU NASCI
Quem nunca viu
os engenhos cuspindo fumaça,
a moenda machucando a cana,
o tacho fervendo o mel,
a moça puxando alfinim,
não conhece o sabor da terra.
Quem nunca provou a garapa,
não comeu um pedaço de rapadura,
não pescou corrós no Rio Salamanca,
não viu filmes de Tarzan no Cine Odeon,
não ouviu o canto dos penitentes,
nem ouviu os Águias, os Beatles do Cariri,
não tocou o coração da cidade.
Quem nunca rezou a Santo Antonio,
não carregou o Pau da Bandeira,
não sentiu o peso da fé na festa,
não conheceu a alma de Barbalha.
Minha Barbalha é sul do Ceará,
é memória que jamais se apaga,
é suor misturado no bagaço da cana,
é procissão, é fé, é festa,
é o som que atravessa gerações.
E eu digo:
Barbalha não cabe em mapa,
Barbalha é dentro da gente,
é o tempo que não envelhece,
é o canto que insiste em ficar.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)