Benedito Morais de Carvalho(Benê)
NÃO SOU POETA, SOU UM ARRUMADOR DE PALAVRAS.
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BARBALHA ONDE EU NASCI

 

Quem nunca viu

os engenhos cuspindo fumaça,

a moenda machucando a cana,

o tacho fervendo o mel,

a moça puxando alfinim,

não conhece o sabor da terra.

 

Quem nunca provou a garapa,

não comeu um pedaço de rapadura,

não pescou corrós no Rio Salamanca,

não viu filmes de Tarzan no Cine Odeon,

não ouviu o canto dos penitentes,

nem ouviu os Águias, os Beatles do Cariri,

não tocou o coração da cidade.

 

Quem nunca rezou a Santo Antonio,

não carregou o Pau da Bandeira,

não sentiu o peso da fé na festa,

não conheceu a alma de Barbalha.

 

Minha Barbalha é sul do Ceará,

é memória que jamais se apaga,

é suor misturado no bagaço da cana,

é procissão, é fé, é festa,

é o som que atravessa gerações.

 

E eu digo:

Barbalha não cabe em mapa,

Barbalha é dentro da gente,

é o tempo que não envelhece,

é o canto que insiste em ficar.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

 

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 20/08/2026
Alterado em 20/08/2026
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