Benedito Morais de Carvalho(Benê)
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A SERRA DO ARARIPE SANGRA

 

O fogo lambe a encosta,

criminoso, voraz, sem piedade.

A mata nativa vira cinza,

o silêncio da serra grita mais alto

que qualquer sirene esquecida.

 

Calcário arrancado, gesso moído,

o solo sangra em pó branco.

Poluição visual, cicatrizes abertas,

paredes de concretos sobem 

onde antes o verde respirava.

 

Desde os anos setenta,

a serra agoniza em ruínas.

Construções rasgam sua pele,

raízes arrancadas, pássaros expulsos.

Fósseis roubados, memória profanada, 

Serra do Araripe, monumento vivo,

transformada em ferida aberta.

 

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

SP, setembro de 2010

 

 

Benedito Morais de Carvalho (Benê)
Enviado por Benedito Morais de Carvalho (Benê) em 02/09/2026
Alterado em 02/09/2026
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