A SERRA DO ARARIPE SANGRA
O fogo lambe a encosta,
criminoso, voraz, sem piedade.
A mata nativa vira cinza,
o silêncio da serra grita mais alto
que qualquer sirene esquecida.
Calcário arrancado, gesso moído,
o solo sangra em pó branco.
Poluição visual, cicatrizes abertas,
paredes de concretos sobem
onde antes o verde respirava.
Desde os anos setenta,
a serra agoniza em ruínas.
Construções rasgam sua pele,
raízes arrancadas, pássaros expulsos.
Fósseis roubados, memória profanada,
Serra do Araripe, monumento vivo,
transformada em ferida aberta.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)
SP, setembro de 2010