PÁTRIA ÓRFÃ
No riacho do Ipiranga mudo,
há espuma cinza, lixo boiando,
a pátria mãe respira veneno,
e o verde da bandeira apodrece.
Sete de setembro: desfiles apáticos,
independência de cartório,
morte em prestações,
o povo mastiga decepções.
O futuro? Um boleto não pago,
a pátria órfã de si mesma,
celebrar o quê, senão a ironia
de um país que nunca se libertou.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)
SP, setembro de 2015