SÃO PAULO SUBMERSA
Chove no centro, chove nos bairros,
a água invade mansões e barracos,
o trânsito engasga, buzinas em coro,
a cidade respira afogada no caos.
Promessas escorrem pelos esgotos,
os rios soterrados emergem furiosos,
o povo cansado resiste à enchente,
mas os rios não esperam ninguém.
Na tormenta o drama é antigo,
periferia e luxo se igualam na lama,
São Paulo é palco de águas rebeldes,
o amanhã já nasce encharcado.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)
SP, março de 2022